Do interior paulista para os principais jornais brasileiros, Carlos Alberto Nascimento Suriano ou simplesmente Carlos Nascimento é considerado um dos maiores repórteres da TV. Junto à formação profissional construiu uma imagem de seriedade e competência ao longo dos 40 anos de carreira.
Nascido em uma região canavieira do estado de São Paulo, Nascimento carrega tanto fisicamente como na sua personalidade as influências indígenas e italianas herdadas de gerações anteriores. "Eu tive muito contato com meus avôs imigrantes de italianos e também com meus avôs que eram índios da região de Piracicaba. E Meus pais tiveram contato com meus bisavôs. Então, na minha família existe uma árvore bem definida e uma carga de informações, comportamento e valores que chegam até mim e que eu passo para meus filhos", explica ele, ao contar sobre a construção de seus princípios que está ligada também ao pensamento de que as gerações mais antigas traziam conceitos de vida muito mais difíceis. "Famílias vieram para o Brasil com dificuldade, fugidas da Europa, muitos passavam fome e tiveram que trabalhar duro. Tiveram que estabelecer códigos de conduta, ética, de procedimentos para poder vencer na vida.", esses processos estão presentes na formação humana do jornalista, que cria seus quatro filhos mantendo essa mesma conduta de valores e raízes dentro e fora da sua casa.
Carlos Nascimento conta que começou sua carreira no rádio, ainda na cidade de Três Córregos, depois batalhou muito para alcançar a TV e para crescer como repórter foi ainda mais difícil. Esse trabalho exigiu boas reportagens, participação em coberturas importantes, furos de notícias, informações exclusivas, contato exaustivo com fontes.
O jornalista foi um grande espectador de uma das fases mais delicadas da política brasileira, a ditadura. Só que sua função não era apenas como observador, ele também tinha o papel de passar a informação do que estava acontecendo numa época que a repressão tomava conta da mídia. "Viviamos em um regime fechado. Então a cobertura política da época se fazia dentro daquilo que era possível fazer. Raramente havia crítica política. O que existia era apenas informação, e não se debatia publicamente na televisão como se debatem hoje decisões do governo, decisões do congresso. Não se podia falar dos temas candentes que eram justamente a falta de liberdade e a tortura de presos políticos, ou seja, a figura do Presidente da República no Regime Militar era mais ou menos como a de um imperador. Eu muitas vezes fui fazer reportagens em Brasília. Nós, que cobríamos política, sofríamos muito e não havia liberdade como a de hoje", Nascimento lembra da dificuldade de fazer a cobertura do jornalismo político nessa época que trabalhava como repórter .
A credibilidade que Nascimento carrega com sua imagem foi construída através de muito trabalho e dedicação, ele fala que sua missão como profissional é mostrar para as pessoas que o trabalho de apurar, descobrir e pensar uma notícia é extremamente relevante . "O que tem valor é isso, porque se o telespectador percebe que eu tenho notícias importantes a dizer e ele sentir que o que eu estou falando demanda trabalho e investigação, esse assunto mexe com o indivíduo e sua família, e tenho certeza que ele vai parar e prestar atenção naquilo", comenta o jornalista que hoje ocupa a bancada e é editor chefe do Jornal do SBT Noite.