30 de setembro de 2015

Sociedade entre Silvio e Edir faria SBT perder até R$ 425 mi, indica estudo

O SBT poderá perder de 30% a 40% de suas receitas publicitárias se todas as operadoras de TV paga do país rejeitarem a sociedade que está sendo articulada entre Silvio Santos, Edir Macedo e a RedeTV! em uma empresa que cobrará por seus sinais digitais dos assinantes de televisão a cabo e DTH (vai satélite). É o que indica um estudo da LCA Consultores, feito para demonstrar ao Cade (Conselho Administrativo de Direito Econômico) que a união das três emissoras não levará à cobrança de preços abusivos, como vêm argumentando empresas e entidades de TV paga, que ameaçam deixar de carregar os sinais das três redes.

A versão pública do estudo da LCA omite valores. Mas, considerando-se o balanço publicado em junho, somente o SBT de São Paulo perderia de R$ 319 milhões a R$ 425 milhões do R$ 1,063 bilhão que arrecadou em 2014. Em outras palavras, o estudo mostra que SBT hoje depende da TV por assinatura para sobreviver com anúncios.

A LCA foi contratada pelo escritório de advogacia que defende SBT, Record e RedeTV! no processo de concentração econômica em tramitação no Cade. Em junho, as três emissoras ingressaram no órgão que avalia as fusões de companhias com um pedido de aprovação de uma empresa que irá negociar seus sinais digitais junto às operadoras de TV paga. Com a joint venture (empresa formada a partir da união de outras empresas), Silvio Santos e Edir Macedo serão sócios. As três TVs terão partes iguais da nova empresa.

A joint venture vem sendo atacada por operadoras e associações de TV por assinatura. Elas argumentam que as três emissoras são relevantes para o mercado de TV paga e que, juntas, poderão cobrar "preços abusivos" por seus canais, hoje cedidos gratuitamente às operadoras. A nova legislação de TV paga (lei 11.485/2011) permite que as emissoras de televisão aberta cobrem por seus sinais digitais (os analógicos continuam gratuitos). A Globo já faz isso.

Com o estudo, a LCA tenta mostrar aos conselheiros do Cade que não é interessante para SBT, Record e RedeTV! cobrarem preços abusivos das operadoras, porque elas precisam ter seus sinais no cabo e no DTH (TV via satélite).

Argumenta a LCA que "a TV aberta é importante para a operadora [de TV paga], mas a audiência da TV por assinatura é crucial para a emissora". SBT, Record e RedeTV! são importantes para as operadoras porque respondem, juntas, por 19% da audiência de todos os canais abertos e pagos entre os assinantes de TV paga.

Mas, por outro lado, as emissoras estão cada vez mais dependentes das operadoras, que já estão presentes em 43% das casas das 15 maiores metrópoles brasileiras (a média nacional é 30%) e têm 20 milhões de clientes no país. Segundo a LCA, a participação do cabo e do DTH na audiência de Record, SBT e RedeTV! saltou de 33% há um ano para 37% no primeiro semestre de 2015. Em outras palavras, de cada 100 telespectadores das três emissoras, 37 as assistem por intermédio de Net, Sky, Claro, Oi, Vivo e operadoras menores.

Além disso, os assinantes de TV paga são os telespectadores mais ricos do país, e isso pesa na hora de os anunciantes programarem suas campanhas. Por isso, estima a LCA, o SBT perderia de 30% a 40% caso ficasse fora da TV por assinatura, hipótese aventada por algumas operadoras contrárias à fusão das três redes abertas.

Mesmo que venha a ser aprovada pelo Cade, a sociedade entre Silvio Santos, Edir Macedo e RedeTV! será duramente combatida pelas operadoras de TV paga. Elas tendem a rejeitar qualquer negociação para o pagamento de seus sinais, uma vez que, em último caso, as redes serão forçadas a cedê-los de graça, já que precisam estar no cabo e no DTH tanto quanto o cabo e o DHT precisa delas. Vai ser uma grande queda de braço. "É preferível receber qualquer valor ao invés de ofertar o canal gratuitamente", reconhece o estudo da LCA nas considerações finais. "Não há incentivos para hipotética prática de preços abusivos", conclui.

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