16 de novembro de 2011

“O craque era o Silvio”, diz Rafael Palladino, ex-presidente do PanAmericano

Rafael Palladino

Ex-personal trainer, formado em educação física e primo da mulher de Silvio Santos, Ra­fael Palladino, de 61 anos, é acusado de ser um dos líderes da organização criminosa que provocou um rombo de 4,3 bilhões de reais no PanAmericano.

Inquieto e com olheiras profundas, o ex-presidente do banco deu entrevista a EXAME no escritório de sua advogada, em São Paulo. Leia os principais trechos daentrevista que faz parte de uma matéria exclusiva da revista que jáestá disponível nas bancas.

EXAME - Silvio Santos disse em depoimento à PF que o senhor é o craque da fraude, que não é possível que o senhor não seja oautor...
Ra­fael Palladino - O craque era ele. Eu sou empregado dele. Quem dera eu fosse craque como ele. Eu poderia fazer ilações, mas não vou fazer.

EXAME - O senhor disse que Wilson de Aro, o seu braço direito no banco, teria assumido a responsabilidade pelasinconsistências contábeis porque ele não queria que o PanAmericano quebrasse. Então, ele o pegou de surpresa com a história da fraude?
Ra­fael Palladino - O Wilson era o cara de confiança do grupo. Ele comandava comitês financeiros do grupo inteiro. Ele me contou o que eles haviam feito e que, se não tivessem feitoisso, o banco quebraria. Eu fui pego de surpresa, sim. A Deloitte fazia relatórios trimestrais. O comitê de auditoria fazia relatórios mensais. A KPMG ficou um anolá fazendo auditoria para a Caixa. Na minha posição, eu jamais teria conhecimento da fraude. Só se eu fosse o contador.

EXAME - E como se explica o CDB do investidor mineiro que rendeu 697% em menos de um ano? Foi milagre?
Ra­fael Palladino - Todo mundo diz que ganhei com essa história. Sim, ganhei. Sabe o que ganhei? Uma cesta deprodutos de Minas: cachaça, amendoim e maria-mole. Eu nem conhecia o cara. O que aconteceu: na crise do banco Santos, o cara comprou um CDB de dez anos. Obviamente, a taxa estava alta. No ano seguinte, renegociamos para 21%.

EXAME - Mas não chamou a sua atenção o retorno desse CDB?
Ra­fael Palladino - Passou despercebido por todo mundo. Não teve rolo nenhum. Ninguém ganhou nada. Eu só ganhei a cesta. E depois desmanchamos o negócio.

EXAME - O senhor é acusado pela PF de ter criado empresas-laranja para lavar dinheiro, de não declarar seu patrimônio no exterior à Receita Federal...
Ra­fael Palladino - Está tudo declarado. O dinheiro que eu mandei, mandei pelo Banco Central. E outra coisa: mandei à polícia um dossiê com a minha vida todinha, com tudo o que comprei e vendi. Não tem nada.

EXAME - Uma ex-funcionária disse à PF que os administradores do banco assinavam pagamentos para suas respectivas empresas sem aprovação da assembleia-geral, como determina o estatuto do Grupo SS. Era uma prática comum no banco?
Ra­fael Palladino - Não, todos os pagamentos eram aprovados pela holding. Tudo era pago pela holding. A gente só recebia salário e bônus como pessoa jurídica. Nunca se fez um pagamento sem que a holding tivesse aprovado antes.

EXAME - Em que vai se basear sua defesa?
Ra­fael Palladino - Eu não sabia de nada.

Fonte: Portal Exame

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