"Aquilo lá (o vídeo) eles montaram (...) Não teve assim, por exemplo, uma agressão, isso e aquilo outro. Ela (Márcia) insinuou”, disse Kirrarinha, em conversa com o repórter Bruno Abbud, da Veja.com. O novo dirigente do DEM de Pontes e Lacerda manteve a versão: “Tapa? Rapaz, eu só pus (sic) a mão pra tirar ela da frente”, afirmou o político que na época da violência contra a jornalista era vereador da cidade, mas perdeu o mandato, devido ao episódio.
Expulso do DEM?
Em fevereiro deste ano, Kirrarinha foi condenado à prisão em regime aberto (decisão que o deixou livre de detenção e apenas o obriga a não passar a madrugada fora de casa, pois o município do interior matogrossense não possui penitenciárias especificas para essas situações).
Logo após a agressão, em 2010, a direção do DEM divulgou que o político seria expulso da legenda, o que nunca foi cumprido.
“O Conselho decidiu pela expulsão e acompanharei a decisão. Quem não acolher o parecer terá que apresentar fortes argumentos contra”, declarou ao site Olhar Direto, em agosto de 2010, o presidente do diretório do DEM de Mato Grosso, Oscar Ribeiro. Porém, Kirrarinha não foi apenas mantido no Democratas, como tornou-se um de seus dirigentes.
A agredida está ‘presa’
Enquanto Kirrarinha não foi desfiliado do DEM e ainda ganhou poder dentro do partido, com a eleição do diretório municipal da legenda, a jornalista Márcia Pache é quem vive em uma prisão, sendo sua casa o próprio cárcere.
Em entrevista ao Comunique-se, ela comentou que não pode sequer andar pela cidade com seus três filhos.
“A pressão velada é terrível. Minha vida mudou demais de lá pra cá. Tem também a questão do bullying. Cidade pequena, você sabe como é. Meu filho mais velho, de 12 anos é o que mais sofre com isso. Não tem mais nem como eu ir na praça com meus filhos que sempre tem alguém fazendo piadinha, ‘olha lá a mulher do tapa na cara’, dizem", lamentou Márcia.
Ameaças
Questionada pela reportagem sobre qual o motivo de não ter processado o ex-vereador de Pontes e Lacerda, a jornalista revelou que não procurou o judiciário por medo da reação do político, tendo em mente que uma ação judicial poderia piorar ainda mais a sua situação. Mesmo sem processo, Márcia revelou que sofre ameaças de Kirrarinha, mas sempre de forma indireta.
“Não é totalmente explícito, mas fica no psicológico. E não dá para eu sozinha largar tudo e tentar recomeçar a vida em outro lugar.
Não é nada que eu possa provar. Mas as pessoas que me conhecem, que moram aqui a mais tempo, sempre que ouvem alguma coisa dele (Kirrarinha) ou de quem é próximo a ele e sempre vem comentar comigo, falando para eu ir embora, que eu tenho que sair daqui, mas não é fácil assim”, disse a repórter da TV Centro Oeste.
Tapa = trauma
Ainda em contato com o Comunique-se, Márcia falou sobre os problemas que enfrenta desde que levou o tapa no rosto. “Por causa do trauma a minha vida mudou totalmente, eu sou outra pessoa, estou sofrendo muito. Eu tomo medicamentos para o coração, para dormir, quase entrei em depressão profunda. É pavoroso. Eu sou o esteio da minha casa, sou mãe de três filhos, cuido deles sozinha”, emocionou-se.