A vocação pela dramaturgia de Boury se estendeu pela família. Sua filha, Margareth Boury foi roteirista da Globo e hoje é autora da Rede Record; seu filho Alexandre Boury é diretor de novelas da Globo e seu neto Guilherme Boury segue a carreira de ator.
Após dirigir Malhação em 1996, passou a realizar pelo País oficinas para descoberta de novos talentos pra Globo e em 2010 foi contratado pelo SBT para dirigir “Amor e Revolução”, novela de Tiago Santiago, que terá como pano de fundo a ditadura militar entre os anos de 1964 e 1972, com estreia prevista para março de 2011, com elenco em plena formação, já estando confirmados nomes como de Lúcia Veríssimo, Cláudio Lins, Antônio Petrin e Flávio Galvão.
Nesta entrevista exclusiva, Boury fala sobre a nova casa, o diretor Del Rangel, além da temática da nova novela do SBT.
A imprensa, quando da sua contratação, muito falou de uma possível rixa entre você e Del Rangel [atual Diretor do Departamento de Teledramaturgia do SBT] e que o Departamento de Novelas estaria rachado em dois com sua chegada. O que o senhor diz sobre toda essa história?
Reynaldo Boury: Nada de rixa com o Del, que é uma pessoa maravilhosa. Já trabalhamos juntos na Globo. Somos ótimos amigos. Praticamente fui o padrinho do Del na televisão. A primeira Direção do Del foi quando eu era o Diretor Geral do Caso Verdade, e ele dirigiu uma história de 5 episódios. Foi aprovado e hoje é o excelente Diretor de dramaturgia.
Uma das primeiras contratações com a sua chegada foi de Sérgio Madureira, ex-Globo, que será o produtor executivo de Amor e Revolução e também responsável pelo elenco da trama. Acredita que será possível utilizar-se do prestígio adquirido por Madureira para formar grandes elencos no SBT?
RB: O Sergio Madureira só irá somar com os profissionais do SBT. Bastante querido no meio artístico, com certeza irá nos ajudar nas contratações.
Continuando ainda sobre o Sérgio Madureira. Vocês estão repetindo uma dobradinha que aconteceu na Globo em 1992, em "Despedida de Solteiro", de Walther Negrão, que teve como diretor-geral, o senhor, e produtor executivo, o Madureira. Como você avalia essa experiência na Globo?
RB: Trabalhamos juntos em várias novelas na Globo: “Sonho Meu”, “Irmãos Coragem”, e outras produções que não me lembro, sempre com grande sucesso.
Os diretores assistentes Luiz Antônio Piá e Rodolfo Silot continuarão nessa nova trama do SBT. O que o senhor sabe do trabalho desses diretores e considera um facilitador a presença dos dois na equipe por já conhecerem bem o trabalho desenvolvido pelo Diretor Del Rangel?
RB: Tanto o Piá, como o Rodolfo será um facilitador para desenvolvermos um bom trabalhar no SBT.
Como o Sr. avalia, nesse primeiro momento, o trabalho de Tiago Santiago e seus colaboradores? É a primeira vez que tem contato com o autor num trabalho na TV?
RB: No início dos trabalhos, o Tiago está escrevendo solo, mas após o capitulo 10 os colaboradores irão ajudar. É a primeira novela que eu e o Tiago vamos fazer juntos.
O mercado de telenovelas vem se expandindo muito. Não só a Globo mais domina o mercado. Record e SBT tem se esforçando e investindo muito para conseguir produzir novelas de qualidade. Como o Sr. avalia a atual situação da teledramaturgia do SBT que no passado chegou a ser referência com novelas como Éramos Seis e Sangue do Meu Sangue e agora busca a retomada?
RB: O SBT também quer produzir boas novelas para junto com a Globo e a Record proporcionar bom entretenimento para os noveleiros.
As novelas de época perderam espaço na Rede Globo. Impossível ver uma "novela das 8" hoje em dia ser de época. Hoje, o que se produz, são somentes remakes de antigos sucessos. Ao contrário, o SBT sempre se sobressaiu em termos de dramaturgia ao produzir novelas de época. Como pretende usar usar a experiência de direção com "Sangue do Meu Sangue" (1969), "Ciranda de Pedra" (1981) e "Sinhá Moça" (1986) para manter essa escrita?
RB: Novelas de época sempre é um desafio a mais. Vamos continuar com este filão, que sempre é do agrado dos telespectadores.
Em 1972, o Sr. participou da produção da novela Minha Doce Namorada, de Vicente Sesso. Novela que ficou na história por lançar Regina Duarte como "namoradinha do Brasil". Os direitos desta novela, hoje, pertencem ao SBT. Gostaria de dirigir uma nova versão produzida pela emissora da trama?
RB: Quem sabe? Mas que outra “namoradinha do Brasil” seria sem ser a Regina Duarte?
Sua estreia como diretor de novelas se deu em 1964, pela TV Excelsior, justamente o ano que houve o golpe militar no Brasil, tema-chave da novela que irá dirigir no SBT. Inclusive, o senhor sofreu interferência da censura em várias tramas, como em O Homem Proibido (1982). Acredita que essa experiência vivida intensamente na carreira ajudará a recriar com a maior realidade possível o panorama da ditadura no Brasil?
RB: Na noite de 31 de março de 1964 estava gravando a novela “A Presença de Anita” no Teatro Cultura Artística de São Paulo. A censura sempre esteve presente em todas as novelas durante a ditadura militar. Nenhum capitulo era exibido sem o aval da Censura Federal.
O que o Sr. pode adiantar para os internautas sobre Amor e Revolução? O que eles podem esperar da trama?
RB: Vai ser explorado exatamente a época da revolução. Muitos vão lembrar os fatos, e outros tantos, os mais jovens, vão querer saber o que se passava no Brasil, nesta época de triste lembrança. Até hoje, nenhuma novela foi realizada sobre este tema, que é intrigante.